De Melo, a lontra niilista
De Melo, o gênio, atacando novamente:
"Rousseau – que além da incontinência urinária e dos problemas de audição devia ter o terno estômago de um ganso com cólicas – desejava uma sociedade na qual ele próprio fosse aceito, qual seja, uma sociedade de pacíficos herbívoros bebedores de coalhada – os quais se contrapusessem aos belicosos e raçudos carnívoros, todos bons apreciadores de morcelas, afiadores de espadas, e bebedores de vinho. Talvez meu desprezo pelos vegetarianos tenha na leitura de Rousseau sua fonte: associo-os sempre à domesticação gay de Emílio: quem sabe os veganos não sejam os castrados ideais que povoavam a mente rancorosa do filósofo genebrino – os quais confundem o “amar a todos” com a ausência de prisão de ventre. Tanto faz, pois, não sei quanto a vocês, mas o meu um metro e oitenta de beleza, saúde, QI elevado, vontade de poder, vigor sexual, e beligerância, necessita de carne – sangrando, se possível. De modo que minha necessidade não permite que eu me apiede de nenhum animal: devoro todos. Fosse permitido por lei, comeria até seres humanos – segundo relatos dos sobreviventes daquele acidente aéreo nos Andes, a carne humana tem gosto de frango, só que mais tenra. Acho que com cebola roxa e vinho branco cairia muito bem…"
