Quartinho da empregada
Mais duas do gênio:
A beleza interior é uma falácia criada pelos feios, no empenho de compensar a má diagramação de suas terríveis fachadas. Sócrates (que era feio, pedófilo e, como se não bastasse, ainda cagava na fralda) aplainou com zelo o pântano onde floresceu tal mentira, ao introduzir na história humana a ironia – com ela a falsa distinção entre o exterior e o interior, sendo este negação do primeiro. Senão, vejamos nosso interior: rins, artérias, banha, suco gástrico, metros e metros de intestino… Acreditem: nosso interior é bem pior. E quanto à alma? Bem, infelizmente, nós, as lontras hiperbóreas, não discutimos superstição, pois somos intelectualmente ventiladas. Tampouco queremos abrir concorrência contra Chico Xavier (que, aliás, era mais feio que um queijo com fungo). Em suma, você que é feio, e que porventura esteja me lendo, saiba: você é feio por dentro, por fora, indo, vindo, de longe, de perto, debaixo d’água e na saída do ladrão. Conforme-se, mas não se entristeça: Diane Arbus ama os feios. Cristo idem. Inclusive, já tratei disso no Quartinho. Procure nos arquivos minha declaração de guerra aos feios.“Só as mães são felizes” é o mesmo que dizer “só os imbecis são felizes”, pois toda mãe é imbecil, na medida em que abdica da vida para cuidar de um canalha que, quando crescer, será bem capaz de matar à machadadas a própria genitora enquanto esta estiver dormindo. E isso só para comprar crack. Mas dizer que só os imbecis são felizes é um erro risonho. O que os imbecis chamam de felicidade é viver o presente a expensas do futuro, os botões de vidro da esperança que tilintam presos ao córneo dos bovinos é o que estes tomam como felicidade. Mas a verdadeira felicidade só começa depois da perda de todas as esperanças. Só é feliz quem está acuado, sem saída, e ainda assim decide dançar. Amar a vida com desespero: isso sim é felicidade.
