Ele é De Melo, o Jebedias. O gênio.
"Ao afirmar que “Deus não joga dados com o universo”, o obsessivo-compulsivo Albert Einstein serviu, sem querer, de bóia para toda sorte de singelos diletantes que bem mereciam se afogar. Entre eles destaco os criacionistas, essas máquinas de tecer meias furadas. Tais pardais do raciocínio aproveitaram o instante no qual Einstein rateou (do alto de seu salto quinze de madame) para justificar ainda mais seus disparates, tais como a teoria do plano inteligente, do design inteligente, do pastel de Santa Clara inteligente, enfim, todos esses argumentos teleológicos já gastos pela opinião, opinião da qual Deus emerge ora como relojoeiro, ora como arquiteto; ora como engenheiro, ora como publicitário, carteiro, crupiê e adestrador de beagles: tudo sem as devidas credenciais exigidas pelos respectivos sindicatos. E se algo se desvia do projeto inteligente divino, afinal, monstros e exceções existem: bebês acéfalos, vacas com duas cabeças, gêmeos siameses, John Holmes, Adolf Hitler, Hebe Camargo… como explicá-los? Aqui entram em cena os espíritas (espécie de mistura entre criacionistas e gerentes gerais). Esses rancorosos ruminantes não vêem no universo nada além de um imenso departamento de recursos humanos no qual os funcionários são eternamente realocados para outros cargos de acordo com a produtividade (carma) de cada um. E a lista é longa. Poderia incluir os evangélicos, os budistas, os hippies, os vampiros vegetarianos e as viúvas da revolução, mas, vou parando por aqui, pois estou ficando enjoado. O fato é que a história mostra o quanto o erro de um gênio pode ser pernicioso, na medida em que ao redor dele os medíocres se reúnem para vingar como larvas. Depois, para consertar tudo dá um trabalho danado."
