O Clube da Sinuca, legado que eu deixei em Manaus, acabou-se esses dias. Por causa de intrigas entre dois membros, um deles primo meu, acabaram a amizade e puseram fim à sede própria do Clube. O motivo da briga ? Mulher, claro.
Os meses que antecederam minha vinda à sampa foram tumultuados, corridos, cansativos, mas foram acima de tudo do grande caralho. E assim foram graças ao Clube da Sinuca e das putarias que arrumávamos nas noites manauaras. Graças à amizade que surgiu entre nós três, eu, Daniel e Neto, meus primos. Trio inseparável, ganhamos o apelido de Trio Canibal, porque comíamos qualquer mulher que se aventurasse a cruzar nossa frente. Trio Metralha, porque atirávamos pra todo lado. Mas o que me deixou saudade foi a amizade forte que surgiu entre nós, amizade verdadeira, ombro pra chorar, casa pra dividir, carro pra emprestar. Esses dois me fazem muita falta. O Clube nem tanto, porque o Clube éramos nós, nós criamos, setamos as regras, comprávamos a cachaça, carne e arroz pra forrar pança dos participantes nas madrugadas. Fui nomeado o presidente, Neto o vice e Daniel o advogado para assuntos aleatórios e promotor de eventos domésticos. Simples assim, tudo levado na base da putaria.
Virávamos a noite bebendo cachaça e vodka no Clube, às vezes a bebida acabava e íamos trêbados pro Porão do Alemão checar a mulherada. Vez ou outra dávamos sorte, outras vezes passávamos mal lá dentro e saíamos pra vomitar. Ou simplesmente íamos todos pra minha casa, assistir filmes e dormir jogados pela sala, cozinha, etecetera.
Nos tornamos irmãos. Lealdade acima de tudo. Amizade à toda prova. Incondicional. Mulher que um pegava tava fora da lista dos outros. Mulher que sacaneava um, sacaneava os três.
Problemas resolvidos a três. Alegrias celebradas a três.
E agora, só restam as lembranças.
Ponho aí algumas fotos pra relembrar aquela época grandiosa que vivemos. Hoje Neto é pai, Daniel mudou-se de volta pra casa da família e eu vim parar em sampa. Ainda nos reuniremos um dia e jogaremos aquela sinuca, regada à cachaça, vodka e coca-cola. Porque nossa irmandade não acabou, ela só ausentou-se de si, mas continua em nós, os sinuqueiros do eterno Clube da Sinuca.
Thiago e o mascote do Clube, que não lembro como chamava.
Frank e Suammy, os dois últimos a ingressarem no Clube.
Eu, já com algumas doses de cachaça na cabeça.
A última noite do Clube.
Tudo acontecia nessa mesa.
Neto.
Daniel.
Eu.
Perdia, bebia.
Perdia, bebia.
Perdia, bebia.
A pose depois do massacre.
A pose antes do massacre.
O primeiro Clube da Sinuca.