Saturday December 23 2006

Um pôste político

Causos do cotidiano.

Quando volto do trampo (o oficial, não o free-la, que desse eu volto a pé), pego o 015 e desço no V8. Até chegar lá o busão passa pela zona leste de Manaus, pra quem conhece, a visão do inferno na Amazônia. Digo, alguns bairros são até tranquilos, mas as invasões são baixo nível.

Pois bem, dentro do busão, na última cadeira, encostado na janela, vejo um motoqueiro passar rente ao coletivo. O abrigo que o cabra usava dizia: sindimoto. Um dos sindicatos de mototaxistas de Manaus.

Esses mototaxistas são fuderosos. Dão medo. Bando de motoboys enlouquecidos trafegando ensandecidamente pelas zonas leste e norte de Manaus. Vez ou outra morre um. Atropelado, tiro, facada, terçadada, etecetera. Outro dia o presidente do sindicato foi lá comigo pra eu digitar a "constituição" da entidade que ele, a muito custo coitado, havia escrito à mão. Eu lá digitando e o cara me contando os causos dos mototaxistas:

- Rapaz, tu viu?

- Vi não senhor. (tec tec tec sem parar no tecrado)

- Mataram um mototaxista uns dias atrás aí.

- É mesmo? Que foi? Acidente? (tec tec tec sem parar no tecrado)

- Rapaz, ele andou comendo a mulher de um polícia aí, ó. Deu maior merda. O cara pegou, marcou e deixou ele ir. Uns dias depois, no trânsito, pou pou, dois tiros na cabeça do coitado, em cima da moto.

- Puta vida, e pegaram o tal polícia? (tec tec tec sem parar no tecrado)

- Nada rapaz. Tão achando que foi ele porque era o único que tinha motivo né? Mas ninguém pegou não. E a gente precisa dos caras, vamo encher o saco deles a troco de que?

- Precisam pra que? Proteção? (tec tec tec sem parar no tecrado)

- Rapaz, pra muita coisa, né. Uma hora proteção, outra hora cobrança, outra hora pra apaziguar alguma briga entre os cooperados e os taxistas de carro. Sabe como é, eles são bronqueados com nós.

- É, eles são invocados com vocês mesmo. (tec tec tec sem parar no tecrado)

- Pois é. E aí, terminou, amigão?

- Só mais um minutinho, mestre. Sente aí, fique à vontade. (tec tec tec sem parar no tecrado)

- Rapaz, vou sentar mesmo, ó. Essa vida às vezes cansa a gente, nénão?

- Ô se cansa. (tec tec tec sem parar no tecrado)

 

Terminei, entreguei, recebi e depois fiquei pensando. Mototaxi é o caralho. Prefiro andar a pé, porra. Tá maluco? Vou arriscar a vida por buceta de polícia? Eu pelo menos sou cuidadoso com as casadas que como e nem moto eu tenho. Menos mal.

A conclusão: todo sindicato é máfia. Começam como irmãos unidos num ideal maior. Depois se ajustam ao mercado e percebem que o socialismo não é tão fácil. Aì flertam com o capitalismo. Adoram, se vendem pros maiorais e se tornam as cabeças de mentes flutuantes, inerciais. Se tornam os líderes amados, que na surdina pisam até no pescoço da mãe, como dizia o Brizola. Formam a liderança de um exército de alienados. Os maiores exemplos de sindicalistas? Lula, Dirceu e Pallocci.

Quer mais? Lenin, Stalin, Trotski.

Mais? Fidel, Che e Hitler.

Quer mais? Melhor não, né? Basta de sujar meu humilde bloguemerda com essa penca de filha da puta. A bandido não se deve dar moral.

Clube da Luta? É, é por aí mesmo.

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