Tuesday July 25 2006

Sao Paolo

Em maio eu fui pra São Paulo. 22 dias de descanso. Conheci pessoas, reconheci pessoas. A pergunta que mais ouvi quando voltei foi: e aí, curtiu o litoral, as praias?

Não. Só fui uma vez ao litoral. Santos, Guarujá, São Vicente e Bertioga. Barba, cabelo e bigode.

Mas conheci o Masp, antes que lhe faltasse energia elétrica. Conheci a estação da luz, o teatro municipal, o pátio do colégio, a casa do Anchieta, a galeria do rock, a 25 de março, o Mercearia, o bar da Dida, as padarias, os bares. Reencontrei o Tadeu, conheci a Patrícia, a Ana, a Dane, a Carla.

As avenidas, os bingos, as lindas caixas do Unibanco (Maria Carolina, que espetáculo de mulher), os hospitais famosos eu vi de longe, os homéricos engarrafatórios urbanos, tanto de automóveis quanto de gente mesmo. Os prédios, os porteiros, os mendigos, as filas pros albergues, os viadutos habitados, os velhos que morriam de frio, os trombadinhas que assustam as dondocas, as Ferraris, Porsches, Land Rovers, Rua Augusta - que depois vira Colômbia, ou é ao contrário? - a primeira mesquita do Brasil, a sinagoga de Higienópolis, os judeus de chapéu, tranças e limusines. Praça da Sé. Praça Roosevelt (Looservelt, segundo o Bortolotto), Museu do Ipiranga, as mulheres lindas, peitudas, incandecentes. E as frias também. Paulo de Tharso, Mirisola, De Melo, feijoadas em padocas, cigarros acesos, sem se danar para o mundo. Os motoboys, potenciais homicidas e suicidas. PCC, ataques, queimadas urbanas, marcas de tiros, blitz de policiais com metralhadoras.
Bovespa, Banespinha, a poluição, os dias frios, a cultura capitalista.

O sol do fim da tarde, num clima frio, os prédios cinzentos e suas sombras avermelhadas ao o pôr-do-sol.

De tudo isso eu sinto falta. Mas algo me faz sentir mais saudade que isso tudo aí em cima: a solidão inerente à cidade de São Paulo. No meio de um povo caótico, espremido, apressado é possível simplesmente estar sozinho, solitário. É possível não ser mais que um bicho. Ou sê-lo.

Pretendo voltar pra lá, de repente até morar. Mas antes preciso treinar meu espírito na arte da solidão acompanhada, porque isso é o que mais me fere, mesmo não ferindo. É o que mais me atrai, mesmo me repelindo.

É o que mais quero, mesmo não o sendo, porque eu sou essencialmente um ser urbano.

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