No início éramos eu, o André, o Danilo e o Marcelo.
Fazíamos nas coxas, nem aí, pouco nos fudendo pro mundo.
Tínhamos fãs em toda a zona leste de Manaus, a parte mais pobre e violenta da cidade, porque só lá o sinal chegava com perfeição.
Alguns professores falavam mal do nosso programa, pelas nossas costas. Um deles, o Tom Zé, nós apelidamos de Ban-Zé - o escroto, e fazíamos paródia no ar, baseada nele.
Aos poucos a moçada começou a se chegar conosco. Alunos dos períodos mais avançados foram na nossa cola e criaram os programas deles.
Aí veio a greve e apenas nós: eu, Marcelo, Danilo e André tínhamos permissão do comando de greve pra entrar na universidade e fazer o nosso programa.
Com a greve, que durou cerca de 2 meses, se eu não me engano, o povo se afastou.
Depois começaram a voltar à minúscula e quente sala pra criarem seus programas.
Aí veio a Anatel e fechou tudo e, acompanhada da polícia federal, quase nos leva presos. Sinal pirata.
A universidade, em toda a sua sapiência, não tinha a documentação legal da rádio.
E ninóis se fudemos.
Hoje: A universidade tá em greve, o Danilo abriu o próprio negócio e não sei se já formou, o Marcelo não pode estudar porque o IBGE, onde ele trabalha, não permite, por causa do horário, o André tá desempregado e eu larguei a universidade e, junto com a Agridoce, abri negócio próprio.
Hoje, apenas lembranças boas daquele corredor e daquela sala mais quente que o inferno. Saudades daquele tempo. Saudades da simplicidade das coisas.